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10 livros curtos que deixam marcas profundas: a lista comentada

A seleção nasce de um incômodo: vivemos cercados de estímulo rápido e descartável, e o pensamento vai ficando raso. A proposta é o antídoto — leituras breves o bastante para caber na semana e densas o bastante para mudar o olhar.

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Três livros sobre a pergunta que não tem resposta pronta

Em O Mito de Sísifo, Albert Camus parte de uma pergunta direta — a vida vale ou não a pena ser vivida? — e chega ao absurdo: a tensão entre quem busca sentido e um mundo indiferente à pergunta. A resposta dele é a revolta, encarar isso com lucidez e sem fugas. O Sonho de um Homem Ridículo, de Dostoiévski, começa onde Camus pergunta: um homem decide dar fim à própria vida, adormece com o revólver na mão e é o sonho que lhe devolve algum sentido. Já Um Artista da Fome, de Franz Kafka, conta a história de um homem que fazia jejuns públicos como atração até deixar de interessar — e ler isso hoje, diz a resenhista, é pensar em redes sociais e em descarte.

Sonhos, abandono e a sombra do pai

Ratos e Homens, de John Steinbeck, acompanha dois trabalhadores itinerantes na Califórnia da Grande Depressão e mostra como um sonho pequeno — a terra própria — se quebra contra o contexto. É um livro que se lê num dia e tem um dos finais mais marcantes que a resenhista já leu. Dias de Abandono, de Elena Ferrante, é visceral e psicológico: uma mulher trocada pelo marido depois de anos de casamento fica sem chão, e o texto pergunta o quanto colocamos a nossa vida em função do outro. Carta ao Pai, de Kafka, é a carta de cem páginas que ele escreveu ao pai e nunca entregou — a recomendação da resenhista é começar o autor por ela, porque autoridade, culpa e inadequação atravessam toda a obra.

Quatro livros sobre humanidade e sobre a falta dela

A Mercadoria Mais Preciosa, de Jean-Claude Grumberg, é uma fábula de linguagem simples sobre o Holocausto — fácil de ler, difícil de atravessar. É Isto um Homem?, de Primo Levi, é o relato do próprio autor sobre Auschwitz, sem se demorar em detalhes brutais, e coloca a pergunta central: como seguir quando tiram tudo de você. O Olho Mais Azul, de Toni Morrison, primeiro romance da autora, vai além do racismo — colorismo, violência contra a criança e contra a mulher, a tentativa de caber num padrão. As Boas Mulheres da China, de Xinran, reúne relatos reais que a jornalista colheu sob censura, dando voz a mulheres silenciadas. Os dois últimos vêm com aviso explícito de temas sensíveis, e o de Xinran pede alguma pesquisa sobre a China do século vinte.

O recado: A lógica da lista é essa: tempo é escasso, então a escolha recai sobre livros que você não vai levar meses para terminar — mas que devolvem muito pelo tempo investido. Vale reparar em como eles conversam entre si: a pergunta de Camus reaparece em Dostoiévski, a inadequação de Kafka ecoa em Steinbeck, o testemunho de Levi e de Xinran cobra do leitor a mesma atenção. Salve este post para quando bater a vontade de ler algo curto que não seja raso.